Sou vegana

Não como mais carne, nem de peixe. Resolvi também não comer queijos e ovos. Leite já não tomava.

Aí virei vegana.

Alguns acharam minha atitude radical, eu poderia ter me tornado vegetariana. O meio termo não me interessa. O leite é mais pesado que a carne, eu acho.

Foi assim até nas festas de fim de ano e nos dias seguintes acordei leve e sem aquela sensação de que estava intoxicada de glicose. Agora só goiabada, doce de abóbora.

Fui ver o que tinha acontecido com Chef Lidu. Descobri que ele não era um autêntico vegano, como eu pensava. Ele admitia comer formigas, insetos. E um vegano não come nada de origem animal, nem mesmo mel.

Explicaram-me um dia que a opção pelo veganismo é uma opção política e ética. Nao pensei nada disso quando parei de comer carne e tudo o mais. Pensei em ficar mais leve, em me sentir melhor e em ter menos alternativas para lanches em aeroportos, eu viajava bastante e comia brigadeiros e mais guloseimas em esperas ansiosas.

Agora às vezes tenho vontade de um sushi, mas passa logo.

Não tenho vontade de comer formigas e gostaria que Chef Lidu tivesse sido um vegano mais coerente. Mas agora o livro está escrito e ele foi assassinado, o Chef Lidu. De qualquer modo ele não era obsessivo: podia comer formigas e criar sua própria concepção alimentar.

Mas poderia ser chamado de vegano? Acho que não.

E por que eu não como ovo? Não sabia dizer. O ovo é tão bonito.

Hoje li o conto de Clarice Lispector, “O ovo e a galinha”. Entendi a razão.

Descobri que não como ovo antes de não comer carnes porque o ovo é perfeito e não consigo engolir sem culpa.

Sobre Paula Bajer Fernandes

Sou escritora e moro em São Paulo. Além de livros publicados (na área jurídica e romances), além de contos, tenho dois blogs: Lolita e Nove tiros em Che Lidu. Criei o blog Lolita em 2009 para falar de imagens, lugares e escritos (http://lolitaimaginario.com). O blog Nove tiros em Chef Lidu (cheflidu.com) é um espaço sobre processos criativos e novelas policiais. Todo livro tem um outro lado, como as cenas que não entraram em um filme e ficam no DVD, entrevistas com atores e o diretor. Senti vontade de prosseguir um pouco no romance Nove tiros em Chef Lidu e aproveitei o lançamento em formato digital para começar o blog. O blog continuou. Sou autora de Viagem sentimental ao Japão (Rio de Janeiro, Apicuri, 2013), Asfalto (livro de contos em formato digital), Nove tiros em Chef Lidu (Editora Circuito, 2014 e e-galáxia, e-book) e Feliz aniversário, Sílvia (Editora Patuá, 2017). Em abril de 2016 publiquei o fanzine O mergulho, com textos e fotos minhas e direção de arte e ilustrações de Rodrigo Terra. Integro o Coletivo Martelinho de Ouro. Participei de cinco publicações do Martelinho: Achados e perdidos (RDG, 2013), 50 anos daquele 64, Serendpt (Livrus), publicados também em formato digital. Em novembro de 2015 foi publicado o fanzine Fancine. Sub, livro de contos do Martelinho sobre tudo que pode estar oculto, foi publicado pela Patuá no fim de 2016. A Editora Patuá publicou, no fim de 2017, Eu não sou aqui, do Martelinho. Tenho dois contos no livro. Em julho de 2018 o Martelinho publicou Sóis e sombras, fanzine distribuído da Casa do Desejo, na Flip, e na Balada Literária, em São Paulo.
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