Romance Luminoso

LOLITA

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Terminei de ler “Romance luminoso” (Companhia das Letras), de Mario Levrero, escritor uruguaio.

Um pouco mais da metade do livro é seu diário. Ele descreve a rotina de quem precisa escrever um romance porque ganhou uma bolsa para isso. Mas ele se dispersa, é viciado em programas de computador e romances policiais que encontra em sebos e bancas, tem uma companheira que o visita e com quem passeia, alguns problemas de saúde e uma médica com quem foi casado, alunos em oficina literária e, com tudo isso, não consegue escrever nada além do diário.

Fico encantada por esse apego aos romances policiais. Ele gosta dos mais antigos e brinca que não leu Agatha Christie. A certa altura, diz: “Assim funcionam os vícios, e a pessoa chega a sofrer grandes humilhações por necessidade da droga. Já sei que um dia vou acabar lendo Agatha Christie”.
Ele gosta desses autores: John D…

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Falei em uma entrevista para o blog de José Nunes

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As mulheres na literatura policial

Convidada para uma conversa sobre estereótipos femininos em ficção policial no Porto Alegre Noir (abril de 2018, coordenação Cesar Alcázar e equipe), pensei em como poderia avançar no discurso sobre a desigualdade de gênero.

Fiz algumas reflexões para o diálogo que teria e tive com as escritoras Andrea Nunes e Gabriela Silva. Passado quase um mês do evento, só agora consigo fazer o registro.

Pode ser que, nos últimos tempos, as estatísticas tenham caminhado para outra conclusão, mas, no decorrer das décadas, tem-se valorizado mais a voz masculina para expressar realidade e ficção.

A lista dos premiados com Nobel de literatura é constituída predominantemente por escritores. Aqui cabe um aparte. A primeira mulher a ser premiada com o Nobel foi Selma Lagerlof, em 1909. Era sueca e militante. Trabalhou para emancipação e voto das mulheres, protegeu judeus do nazismo. Era uma pessoa iluminada. Doente, parou de andar aos três anos, tendo recuperado a mobilidade aos quinze, depois da visão de uma ave em um navio (“Todos os ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura-1901-2010”, de Lundenbergue Góes, Global, 2010).

Pesquisa coordenada por Regina Decalstagnè na Universidade de Brasília (https://revistacult.uol.com.br/home/quem-e-e-sobre-o-que-escreve-o-autor-brasileiro/) constata a presença majoritária de autores entre as pessoas publicados no Brasil. Movimentos têm surgido para enfrentar essa maior visibilidade da literatura masculina: Mulherio das Letras (www.mulheriodasletras.com.br) e o Leia Mulheres (https:leiamulheres.com.br). Nosso coletivo Literário Martelinho de Ouro, só de mulheres, existe desde 2012 e já publicou livros e fanzines.

Fixado esse ponto no raciocínio, e passando ao tema sugerido para o Porto Alegre Noir, concentrei-me na literatura policial e nos estereótipos femininos.

Primeiro fiquei intrigada com o significado do termo estereótipo e sua importância ou irrelevância no diálogo que teríamos. O tema proposto não era simples. Cheguei à conclusão que estereótipo seria como rótulo, padrão, modelo. E esse termo seria aplicável às personagens, já que seria difícil, impossível mesmo, encontrar estereótipos para as escritoras.

A pergunta também poderia ser: como são as personagens femininas na ficção policial? Há mulheres detetives?

Há muitas mulheres detetives na ficção policial. Kay Scarpetta, de Patricia Cornwell. Miss Marple, de Agatha Christie, Preciosa Ramotswe, de Alexander Mcall Smith, todas lembradas no blog listasliterarias.com , entre elas a maravilhosa Lisbeth Salander (https://bit.ly/2riZC4b).

As personagens femininas detetives são admiradas pelo público, têm lugar preferencial na literatura de suspense, quer apareçam como detetives, vítimas, cúmplices e assassinas. Sem elas as histórias não têm graça. O literaturapolicial.com tem divulgado constantemente a escrita policial de autoria feminina. Aqui está um dos vídeos protagonizado por Ana Paula Laux: https://bit.ly/2JJcnvF.

No Porto Alegre Noir, festival de livros e filmes, assisti a “The Outfit” e “In a Lonely Place” (dirigido por Nicholas Ray). A ficção policial pode ser transportada para a tela e o cinema só a completa. Em “In a Lonely Place”, baseado em romance escrito por uma mulher, Dorothy B. Hughes, o casal protagonista vive situação de confiança/desconfiança, dominação/sujeição. Não é importante saber quem matou, mas se aquele amor que o casal experimenta superará o impasse causado pela eventual falta de lealdade.

Em “The Outfit”, dirigido por John Flynn, há muitos tiros, vingança, mas também mulheres elegantes e misteriosas que aparecem e desaparecem, instigando violência e, também, suavizando os conflitos. Há ambiguidade nas personagens.

Depois de algumas semanas do Porto Alegre Noir, finalmente chego ao ponto de escrever um pouco sobre os estereótipos femininos na ficção policial para concluir, provisoriamente, que não são identificáveis. A fêmea fatal nunca é só fêmea fatal. A detetive pode ser solitária, só que os detetives, com exceção talvez de Maigret, também o são.

A ficção policial retrata a realidade. Não é reportagem policial, embora haja pontos de contato entre os estilos narrativos. Edgar Allan Poe mostrou a influência do relato jornalístico na narrativa da investigação em “Os crimes da Rua Morgue”. Seu detetive, Auguste Dupin, usa as matérias jornalísticas para raciocinar e encontrar o culpado. Por outro lado, há quem acompanhe reportagens policiais de crimes reais como lê um folhetim, um romance em pedaços.

Os romances policiais são complexos como a vida e não é possível encontrar estereótipos para suas personagens.

A ideia de que personagens femininas poderiam ser estereotipadas remete à possibilidade de sua criação por escritores apegados a uma concepção masculina da sociedade. Ou será que autoras mulheres também estariam impregnadas de uma concepção da sociedade controlada pelo ponto de vista masculino? Essa é uma questão de resposta difícil. Eu, pensando com simplicidade, acho que não. As mulheres que escrevem romances policiais aventuram-se em um mundo perigoso, de violência e crime, e não criariam personagens femininas caricaturais.

O ideal seria que leitoras e leitores não se importassem com o gênero da pessoa que escreve que, aliás, não se reduz ao feminino e ao masculino. Eu tenho a impressão de que quem lê romance policial por paixão não se importa.

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Porto Alegre Noir coloca o Brasil no mapa dos festivais policiais

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Por Rogério Christofoletti – Quantos eventos dedicados à literatura de crime existem no país? Quais os mais importantes? Até a semana passada, não havia respostas para essas perguntas, mas uma modesta e bem organizada iniciativa…

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| PORTO ALEGRE NOIR | Bate-papo: A Literatura Policial Latino-Americana

Assisti, foi ótimo, vale!

Literatura Policial

ENCONTRO LITERÁRIO – A 1ª edição do Porto Alegre Noir promoveu uma série de encontros em abril deste ano na capital gaúcha, com debates sobre o gênero e exibição de filmes na Cinemateca Capitólio. Um deles aconteceu dia 14, sábado, no bate-papo sobre “A Literatura Policial Latino-Americana” e a coletânea Acerto de Contas, publicada em 2017 pela Companhia das Letras.

O encontro contou com a participação do jornalista Carlos André Moreira e da escritora Carol Bensimon, e teve mediação de Rogério Christofoletti, jornalista e colunista do Literatura Policial.

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Estou aqui, entre autoras do suspense

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As fotografias de Alphonse Bertillon

A Revista de Fotografia Zum sempre me surpreende. Nessa de número 13 encontrei as fotografias de um dos primeiros investigadores técnicos da história policial, Alphonse Bertillon. São fotografias chocantes, não posso mostrar aqui. São de pessoas assassinadas no começo do século XX, ou seja, cadáveres. Mas estão coladas em um cartão envolvidas por escalas métricas. Com as fotografias, Bertillon  criou um método científico de investigação policial. Vale transcrever texto de Luce Lebart intitulado “Cenas de um crime”: O método para fotografias métricas de cenas de crimes registra, de modo sintético e global, os elementos materiais do drama: posição do cadáver, localização das eventuais armas, objetos e rastros, ou seja, todos os indícios cuja análise científica formará o embasamento da criminalística moderna (Zum, pp. 156-171, p. 171). Há um termo jurídico que resume esse conjunto de fatos e informações: corpo de delito. Corpo de delito, no homicídio, por exemplo, é o cadáver e tudo o que está em volta dele, como armas, manchas, objetos deixados no local. Bertillon, com seu método de registrar  imagens, contribuiu para o aperfeiçoamento desse conceito técnico de processo penal.

Já escrevi aqui sobre o roubo da Mona Lisa do Louvre, em 1911. E Bertillon, na época Chefe do Departamento de Identidade Judicial da Prefeitura de Paris, foi chamado a investigar. Chegou ao Louvre com lupa, lenço, pincel de pelo de camelo, apetrechos outros, e recolheu impressão digital da moldura que sobrara. Mas nesse caso seu método não chegou à verdade. A polícia francesa teria ignorado um italiano que trabalhava no Louvre e, no dia do crime, chegara atrasado ao museu. Vincenzo Peruggia tinha ficha na polícia. Seu perfil criminal estava nos arquivos de Alphonse Bertillon, constituído de mais de 750 mil registros organizados. Mas Bertillon só tinha impressões digitais do lado direito e a encontrada na moldura era do lado esquerdo. Vincenzo Peruggia tirou a Mona Lisa do Louvre porque queria que ela ficasse na Itália (Obtive essas informações em mais um livro que encontrei sobre a subtração, “Roubaram a Mona Lisa”, de R.A. Scotti, L&PM).

Nesse caso da Mona Lisa Bertillon não foi bem sucedido. Os métodos científicos de descoberta da verdade prometem muito e, na maioria das vezes, são bem úteis. Mas é difícil prever todas as situações e, em última análise, o que conta, principalmente, é a perspicácia de quem liga as informações com racionalidade, mas, também, muita intuição.

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