Porto Alegre Noir coloca o Brasil no mapa dos festivais policiais

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Por Rogério Christofoletti – Quantos eventos dedicados à literatura de crime existem no país? Quais os mais importantes? Até a semana passada, não havia respostas para essas perguntas, mas uma modesta e bem organizada iniciativa…

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| PORTO ALEGRE NOIR | Bate-papo: A Literatura Policial Latino-Americana

Assisti, foi ótimo, vale!

Literatura Policial

ENCONTRO LITERÁRIO – A 1ª edição do Porto Alegre Noir promoveu uma série de encontros em abril deste ano na capital gaúcha, com debates sobre o gênero e exibição de filmes na Cinemateca Capitólio. Um deles aconteceu dia 14, sábado, no bate-papo sobre “A Literatura Policial Latino-Americana” e a coletânea Acerto de Contas, publicada em 2017 pela Companhia das Letras.

O encontro contou com a participação do jornalista Carlos André Moreira e da escritora Carol Bensimon, e teve mediação de Rogério Christofoletti, jornalista e colunista do Literatura Policial.

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Estou aqui, entre autoras do suspense

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As fotografias de Alphonse Bertillon

A Revista de Fotografia Zum sempre me surpreende. Nessa de número 13 encontrei as fotografias de um dos primeiros investigadores técnicos da história policial, Alphonse Bertillon. São fotografias chocantes, não posso mostrar aqui. São de pessoas assassinadas no começo do século XX, ou seja, cadáveres. Mas estão coladas em um cartão envolvidas por escalas métricas. Com as fotografias, Bertillon  criou um método científico de investigação policial. Vale transcrever texto de Luce Lebart intitulado “Cenas de um crime”: O método para fotografias métricas de cenas de crimes registra, de modo sintético e global, os elementos materiais do drama: posição do cadáver, localização das eventuais armas, objetos e rastros, ou seja, todos os indícios cuja análise científica formará o embasamento da criminalística moderna (Zum, pp. 156-171, p. 171). Há um termo jurídico que resume esse conjunto de fatos e informações: corpo de delito. Corpo de delito, no homicídio, por exemplo, é o cadáver e tudo o que está em volta dele, como armas, manchas, objetos deixados no local. Bertillon, com seu método de registrar  imagens, contribuiu para o aperfeiçoamento desse conceito técnico de processo penal.

Já escrevi aqui sobre o roubo da Mona Lisa do Louvre, em 1911. E Bertillon, na época Chefe do Departamento de Identidade Judicial da Prefeitura de Paris, foi chamado a investigar. Chegou ao Louvre com lupa, lenço, pincel de pelo de camelo, apetrechos outros, e recolheu impressão digital da moldura que sobrara. Mas nesse caso seu método não chegou à verdade. A polícia francesa teria ignorado um italiano que trabalhava no Louvre e, no dia do crime, chegara atrasado ao museu. Vincenzo Peruggia tinha ficha na polícia. Seu perfil criminal estava nos arquivos de Alphonse Bertillon, constituído de mais de 750 mil registros organizados. Mas Bertillon só tinha impressões digitais do lado direito e a encontrada na moldura era do lado esquerdo. Vincenzo Peruggia tirou a Mona Lisa do Louvre porque queria que ela ficasse na Itália (Obtive essas informações em mais um livro que encontrei sobre a subtração, “Roubaram a Mona Lisa”, de R.A. Scotti, L&PM).

Nesse caso da Mona Lisa Bertillon não foi bem sucedido. Os métodos científicos de descoberta da verdade prometem muito e, na maioria das vezes, são bem úteis. Mas é difícil prever todas as situações e, em última análise, o que conta, principalmente, é a perspicácia de quem liga as informações com racionalidade, mas, também, muita intuição.

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Continental Op-Dashiell Hammett

capas

Outro dia descobri, no livro Linha do tempo do design gráfico no Brasil, da Cosac Naify, que Continental Op foi o primeiro livro lançado com duas capas no Brasil. Foi o início do uso de fotografias em capas de livros. As capas são de João Baptista da Costa Aguiar e as fotografias de J.R. Duran. O livro, no Brasil, foi publicado pela Companhia das Letras em 1988.

O prefácio de Ruy Castro é um dos melhores textos sobre literatura policial que já li. Divertido, bem escrito e didático.

Ruy Castro já começa explicando o termo hard-boiled. Na culinária, significava ovos cozidos além do ponto. Mas, no final dos anos vinte, esteve relacionado ao estilo fervente de escrever. Talvez Hemingway tenha inventado o estilo hard-boiled, caracterizado por narrativa rápida, diálogos curtos e coloquiais, personagens violentos. Hemingway influenciou muitos autores e esse mistério tipo  hard-boiled pode ter surgido em seu conto de 1928: The Killers. Hemingway gostava de Hammett. Hammett teria ficado famoso primeiro, escrevia em uma revista chamada Black Mask e em outra super respeitada, The smart set.

Ruy Castro conta que os críticos gostaram da ficção urbana de Hammett. E assim: “Hammett vestiu um trench coat em seu detetive, calçou-lhe galochas, enfiou-lhe um chapéu na cabeça, armou-o com um 38 e obrigou-o a sair de casa, mesmo que estivesse chorando” (p. 9). Ele conta, também, que Hammett introduziu na literatura a mulher linda, perversa e sem escrúpulos. Op, o detetive de Continental Op, é técnico e profissional.

Eu gosto desse estilo hard-boiled,  de frases escritas como tiros expelidos do pensamento de um personagem que ri de si mesmo, sabendo que o epílogo estará a seu favor. Um exemplo: “Sempre sentira um razoável orgulho de minha capacidade de socar. E era desapontador ver aquele homenzarrão aguentar o máximo que eu podia desferir sem soltar um grunhido sequer. Mas eu não estava desanimado. Ele não podia aguentar aquilo para sempre. Resolvi trabalhar metodicamente” (p. 197). E depois: “O golpe doeu. Mas deve ter doído mais nele. Um crânio é mais duro do que um punho”.

Tem um filme do Wim Wenders, Hammett, de 1982, que tem esse ritmo. O filme é baseado em um romance de Joe Gores que tem Dashiell Hammett como personagem.

Achei os contos de Continental Op completamente diferentes de O Falcão Maltês. Essas diferenças são assunto para outro texto.

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O caderno de receitas  de Chef Lidu

Chef  Lidu foi encontrado morto no restaurante  e seus livros de receitas, com segredos, desapareceram. Desapareceu também, além dos livros, seu caderno particular, com receitas escritas de próprio punho. Levaram os cadernos e 5 kg de filet mignon embrulhados em porções individuais, congelados.

Um segredo em uma receita pode ser insólito e pode ser um motivo de um crime bárbaro, como a certa altura se pensa na investigação do homicídio de Chef  Lidu. O assassino poderia estar endividado e querer ter lucro com  seu caderno quase sagrado. Essa é uma hipótese da investigação.

O que faz um chantilly ficar no ponto certo, por que determinado creme não talha, como é possível fazer a carne ficar tostada por fora e macia por dentro, será que colocar um pouco de açúcar no tomate é bom ou ruim? Para quem cozinha, esses resultados não têm nada de secretos, mas para mim, amadora, são raros. Uma coisa que nunca entendi é como se pode assar um peixe com farofa dentro e dar tudo certo, ele não se desfazer e ainda assim não ter espinhas. Ou como se deixa um pudim de leite condensado  com furinhos ou sem furinhos.

Há quem possa considerar esse assunto, o das receitas na culinária, superficial. Mas não é. Na ditadura a censura aos artigos, nos jornais, era clara quando publicadas, no lugar em que deveriam estar, receitas de bolo ou ou de bombons.

Nada é muito evidente nas receitas de culinária. As descrições de preparo  nunca são muito claras. Por outro lado,  há muitas palavras sedutoras, ou surpreendentes, tipo as que encontrei em uma revista antiga: , “leve ao forno por poucos minutos” (quantos?), “mistura mostarda-vinho”, “prato delicado”, “tenras”, “com xxx você cria tudo mais leve”, “irresistível chocolate”, “faça quatro pequenas covas”.

Outro aspecto interessante das receitas é o uso de línguas diversas: “patê en croûte”, “frango en croûte”, “sópi di banana”. Também encontrei “sópi di pampuna”.

Depois há umas frases meio desatualizadas na revista antiga: “Toda dona de casa sonha em apresentar à mesa pratos saborosos e bonitos” é uma delas.

Eu sonho com isso: apresentar à mesa pratos bonitos e saborosos é uma fantasia. Eu gostaria muito de cozinhar bem e de não me incomodar com a louça, de lavar tudo sem sofrimento. Já segui modos de preparo à risca e fiz alguns pequenos banquetes. Uma vez, nunca vou esquecer, fiz uma carne de vitela recheada com ricota que ficou muito boa e foi muito difícil de fazer. Fiz quindim de verdade, tomando cuidado de preservar as camadas.

Depois parei de cozinhar. Tenho uma vontade hipotética e o que me consola é que posso cozinhar quando quiser, é só seguir essas receitas maravilhosas que guardo para uma oportunidade melhor. Quando eu parar de escrever. Cozinhar e escrever não são atividades incompatíveis. Muita gente faz os dois. Mas, para mim, são completamente diferentes. A não ser que eu escreva um livro de receitas e, para isso, precise inventar e testar receitas para, então, descrevê-las em termos muito exatos. Um livro de comida vegana, talvez.

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P.S.- Nove tiros em Chef Lidu (Editora Circuito) está, entre algumas outras, na Livraria Martins Fontes. Está também em e-book (e-galáxia) em todas as plataformas digitais.

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Detetive feminina

“The female detective” foi escrito por Andrew Forrester, pseudônimo de James Redding Ware. Foi publicado em 1864, Londres.

Encontrei uma edição de 2012 com prefácio de Alexander McCall Smith que explica como, na época, às mulheres não era comum a atividade de investigação criminal e, por isso, a personagem feminina como detetive era muito interessante. Há, no livro, ainda, uma introdução de Mike Ashley, em que ele adianta que a personagem do livro é a primeira mulher detetive na ficção. Seu nome é incerto, nem mesmo a polícia  sabe ao certo. É conhecida como G. Na época, não havia detetives mulheres na Inglaterra. Nos Estados Unidos a primeira detetive foi Kate Warne, admitida por uma agência de investigação em 1856. Tinha 23 anos. Por isso, ele diz, “The female detective” estava à frente de seu tempo. A personagem do livro trabalha de maneira independente, mas auxilia a polícia.

Na introdução do próprio livro, a detetive escreve: Who am I? Quem eu sou? Ela fala que sua profissão é útil, mas desprezada. Tanto que a escondeu de todos à sua volta. Seus amigos pensam que ela é modista. Ela compara suas atividades às de espionagem. A mulher espiã tem mais possibilidades de ir a diversos lugares sem despertar suspeitas que os homens detetives. Escreve para mostrar a importância de seu trabalho.

O livro é constituído de narrativas mais ou menos longas em primeira pessoa. Conta como ficou sabendo dos crimes, fala das pessoas com quem conversou para descobrir os autores, comenta os casos de maneira simples, às vezes irônica, sempre  muito pessoal. Emite opiniões, inclusive, sobre o sistema de justiça da época. Ela conta os casos com leveza.

A primeira personagem detetive feminina em novelas policiais foi criada por escritor, sexo masculino. As narrativas têm ponto de vista feminino, embora eu não consiga definir, exatamente, o que seja um olhar feminino na escrita. Acho que há detalhes nas descrições que não seriam observados por um homem e talvez estejam um pouco exagerados, ou forçados. Afinal, um escritor escreve. Se  é do sexo masculino e escreveu como mulher, na primeira pessoa, então  refletiu sobre a narrativa feminina, naquela época. Jane Austen já havia publicado seus romances, assim como Charlotte Brontë, que o fez sob pseudônimos masculinos.

Faz tempo quero escrever sobre a primeira mulher detetive na história da ficção policial. Outras vieram e minhas prediletas, hoje, são Kay Scarpetta e Lisbeth Salander. 
 

 

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