Como comecei a escrever “Nove tiros em Chef Lidu”

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Sempre quis escrever um romance policial. A narrativa   gira em torno de quem matou quem. A interrogação fundamenta a novela e a curiosidade leva o leitor chegar à última fase. Um jogo se instaura na leitura e, quando os personagens são instigantes, competem para dar o truco.

Não leio tanto romance policial assim. Li muito Agatha Christie quando mais nova e depois li Patricia Cornwell, autoras de épocas e  estilos  diferentes. Aí me apaixonei pelo “Longo Adeus” de Raymond Chandler, e tive admiração por “O Falcão Maltês” de Dashiell Hammet.  Meu interesse segue pela maneira de narrar e pelo carisma dos personagens.

Também estudo direito processual penal  e  descobrir como se conhece uma verdade é o principal desafio da disciplina. Presto atenção na linguagem dos processos judiciais, completamente diferente da linguagem dos romances. Quis ver se era possível juntar as duas. “Nove tiros em Chef Lidu” é, sob esse ponto de vista, um romance experimental.

O narrador, Elvis, é engraçado, conduzi a história de um jeito meio imprevisível. Ele faz boas perguntas (admiro quem sabe perguntar).  Dr. Magreza, o delegado, pode ser um bom sujeito. E Chef Lidu, que começa a história morto, revela-se muito bacana, também. Chef Lidu gosta de comer (começou uma dieta). Elvis e o Dr. Magreza não ligam para esse hábito tão antigo e necessário.

Dr. Magreza é um personagem que já virou amigo,  surgiu em um romance que nunca publiquei e já teve vários títulos, o último é “A morte da atriz americana”. Ali ele é mais novo,  conhece Elisa, outra personagem de “Nove tiros em Chef Lidu”.

Quando comecei a escrever, imaginei o narrador contando suas impressões sobre a investigação policial ao mesmo tempo em que ela acontecia. Também me inspirei em Norman Mailer quando escreveu “A luta”. Ou em Hunther Thompson. Só que Elvis não é jornalista e muito menos confiável. Ele é um jovem escrivão de polícia, acabou de entrar no serviço público, está cheio de ideias e energia. O jeito de contar a história reflete essa inocência dele. E logo ele relata e dá sua versão, sua opinião, às vezes se coloca na terceira pessoa, comenta os depoimentos que digita para o Dr. Magreza, fala sobre Chef Lidu, o protagonista da história.

Eu gosto bastante desse romance.

Sobre Paula Bajer Fernandes

Sou escritora e moro em São Paulo. Além de livros publicados (na área jurídica e romances), além de contos, tenho dois blogs: Lolita e Nove tiros em Che Lidu. Criei o blog Lolita em 2009 para falar de imagens, lugares e escritos (http://lolitaimaginario.com). O blog Nove tiros em Chef Lidu (cheflidu.com) é um espaço sobre processos criativos e novelas policiais. Todo livro tem um outro lado, como as cenas que não entraram em um filme e ficam no DVD, entrevistas com atores e o diretor. Senti vontade de prosseguir um pouco no romance Nove tiros em Chef Lidu e aproveitei o lançamento em formato digital para começar o blog. O blog continuou. Sou autora de Viagem sentimental ao Japão (Rio de Janeiro, Apicuri, 2013), Asfalto (livro de contos em formato digital) e Nove tiros em Chef Lidu (Editora Circuito, 2014 e e-galáxia, e-book). Em abril de 2016 publiquei o fanzine O mergulho, com textos e fotos minhas e direção de arte e ilustrações de Rodrigo Terra. Integro o Coletivo Martelinho de Ouro. Participei de cinco publicações do Martelinho: Achados e perdidos (RDG, 2013), 50 anos daquele 64, Serendpt (Livrus), publicados também em formato digital. Em novembro de 2015 foi publicado o fanzine Fancine. Sub, livro de contos do Martelinho sobre tudo que pode estar oculto, foi publicado pela Patuá no fim de 2016.
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