Não foi fácil convencer Paula Bajer Fernandes a dar esta entrevista. Ela me disse que não queria falar sobre seus processos criativos porque não tinha muita certeza deles. Cada dia escreve em um horário, não tem uma rotina fixa. Tudo depende de como ela está, sem tem muito trabalho ou não, se está com algum problema. Nem sempre consegue entrar naquela onda que a leva até o romance. Porque o romance, segundo a autora, é uma realidade. Mas consegui. Em um domingo à tarde, finalmente, ela falou, não sem antes deixar bem claro que não gosta de domingos.
Paula, eu sei que a pergunta é meio óbvia, mas você gosta de escrever?
Nem é tão óbvia, porque para algumas pessoas escrever é uma necessidade tão forte que incomoda e não alivia. Gosto muito, mas estou sempre em conflito com a minha escrita e posso sofrer com isso. Quando leio meus textos, não me reconheço, e isso é um pouco estranho. Meus contos chegam a lugares surpreendentes e, nos romances, às vezes não sei para onde ir e essa falta de rumo me diverte. Gosto de ficar perdida e me encontrar, de mudar destinos dos personagens. Escrevi dois romances, “Viagem sentimental ao Japão” e “Nove tiros em Chef Lidu”. Gosto dos dois, um muito diferente do outro.
Você está escrevendo um novo romance?
Estou. Tenho duas personagens, Sílvia e Sabina. Sílvia é advogada e tem problemas para perder peso. Ela vive de dieta e isso é um pouco cômico, mas ela sofre. É uma advogada criminalista e seus clientes são quase sempre inocentes que se envolveram em alguma confusão. O namorado vai morar fora, tem um cara que gosta dela e ela quer escrever sobre a dieta. Sabina é sua melhor amiga. É uma escritora de sucesso, mas escreve sob pseudônimo. Nem o marido sabe que ela escreve bestsellers. A história gira em torno das duas. Só Sílvia sabe o segredo de Sabina.
Por que você fala sobre alimentação nos seus romances?
Porque comer é uma atividade de sobrevivência e cada pessoa come à sua maneira. Há quem coma muito, quem coma pouco, quem goste de doces, ou de salgados, arroz e feijão, carnes, linguiças. Há vegetarianos, os hábitos vão ao infinito, e isso me interessa. A comida une – mas pode desagregar – e interfere diretamente na saúde e na aparência. Acho que, de certa forma, a maneira como a pessoa se alimenta mostra muito como ela é. Os programas sobre gastronomia, hoje, na televisão e na internet, são muitos. Master Chef está em muitos lugares, as pessoas ficam ligadas, gostam das competições, das imagens de alimentos. Chef Lidu foi um Chef de cozinha importante e Sílvia, minha nova personagem, sofre com dietas de emagrecimento. As dietas impõem restrições bem chatas às pessoas e quem tendência para engordar e não se conforma em ficar gordo sofre bastante. Chef Lidu começou uma dieta de emagrecimento antes de ser assassinado. Tenho vontade de contar histórias assim.
Já ouvi que você tem uma escrita leve. O que você acha disso?
Sempre quis ser clara e a clareza é a principal qualidade de um texto que leva o leitor ao final da história. Não tenho problema nenhum com leveza, graça, ironia. Há, por outro lado, livros maravilhosos nada leves, que levam ao sofrimento, também. Tudo pode acontecer. Acho que a literatura pode perfeitamente ser entretenimento, o que não significa que não provoque reflexões. A literatura pode salvar uma pessoa da loucura, da depressão. Tira angústias, também. Ou gera angústias. Quando o leitor se identifica, já não se sente só. E depois, além do divertimento, cada leitor conclui, do livro, o que pode e quer. Essa liberdade é absoluta e o escritor não controla o leitor. Por isso gosto tanto de ler e escrever. São caminhos de resultados imprevisíveis.
Oi, Paula! Adorei a sua entrevista! Eu tb me interesso muito por comida (tb tenho um blog sobre comida, que está em reformulação – http://comemoscultura.blogspot.com.br/) pq é um dos prazeres que se pode realizar sozinho! Bom saber que vem mais coisa boa por aí!
Precisando, é só chamar!
Abs
Raquel
CurtirCurtido por 1 pessoa
Adorei seu blog, Raquel, muito legal!! Beijos!
CurtirCurtir