Mona Lisa

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Em “Nove tiros em Chef Lidu” Elvis, que narra a história, vai a Paris. Vê a Mona Lisa no Louvre. Diz: “Aí fiquei olhando bem a Mona Lisa para descobrir se ela estava feliz ou chateada e cheguei à conclusão de que estava feliz. Deve estar, ainda, porque ela tem espírito. Uma pessoa que fica com as mãos meio cruzadas enquanto milhares de pessoas, de diversas nacionalidades, a admiram, fotografam, e não precisa discursar, só olhar, deve estar feliz. Imagino como será a Mona Lisa à noite, quando ninguém estiver olhando. Será que ela para de sorrir?” (p. 207).

Fui a Paris há uns anos atrás e visitei a Mona Lisa três vezes. Teria ido lá todos os dias. Fiquei muito encantada. A história da pintura também é impressionante.

Tenho um livro que se chama “Os crimes de Paris”, de Dorothy e Thomas Hoobler (Três Estrelas, 2013). O primeiro crime narrado é o roubo da Mona Lisa, em 21 de agosto de 1911. Ela estava no Salon Carré, no Louvre. Um homem vestiu um guarda-pó igual aos usados pelo pessoal da manutenção e tirou o quadro da parede,  estava pendurado por quatro ganchos. Ele saiu em uma segunda-feira, quando o Louvre estava fechado para o público. Só perceberam que Mona Lisa não estava mais lá na terça-feira.

Na época, os parisienses gostavam de ler narrativas policiais nos periódicos. O desaparecimento da Mona Lisa assustou todo mundo e as manchetes eram uma mais sensacionalista que a outra. Viajantes eram revistados, suspeitos inocentes foram detidos, recompensas foram oferecidas.

Havia em Paris um investigador chamado Bertillon que queria inovar na pesquisa de crimes, inaugurando métodos científicos de investigação. Ele encontrou uma impressão digital no vidro que protegia o estojo da pintura. Para compará-la a impressões de pessoas, começou, com sua equipe, a colher impressões dos funcionários do museu.

O Louvre ficou fechado por duas semanas e, quando abriu, os visitantes paravam para ver o espaço vazio em que a Mona Lisa estava. Até buquês de flores foram, ali, colocados.

O quadro voltou ao Louvre em 10 de dezembro de 1913. Foi roubado por Vincenzo Peruggia, descoberto quando entregava a obra a um negociador em Florença. A Mona Lisa ganhou fama imensa depois do crime.

Sou amiga da Mona Lisa de Da Vinci. Ela sorri e não sorri, me olha e não me olha, carrega séculos e séculos de olhares na memória.

Quando você puder, dê uma olhada nesse artigo: “O roubo que lançou a Mona Lisa à fama” – http://bbc.in/2ah43S0. Tirando o título, do qual não gosto, o texto é muito bom.

Ela sempre foi linda e desde sempre encanta nosso olhar.

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Sobre Paula Bajer Fernandes

Sou escritora e moro em São Paulo. Além de livros publicados (na área jurídica e romances), além de contos, tenho dois blogs: Lolita e Nove tiros em Che Lidu. Criei o blog Lolita em 2009 para falar de imagens, lugares e escritos (http://lolitaimaginario.com). O blog Nove tiros em Chef Lidu (cheflidu.com) é um espaço sobre processos criativos e novelas policiais. Todo livro tem um outro lado, como as cenas que não entraram em um filme e ficam no DVD, entrevistas com atores e o diretor. Senti vontade de prosseguir um pouco no romance Nove tiros em Chef Lidu e aproveitei o lançamento em formato digital para começar o blog. O blog continuou. Sou autora de Viagem sentimental ao Japão (Rio de Janeiro, Apicuri, 2013), Asfalto (livro de contos em formato digital) e Nove tiros em Chef Lidu (Editora Circuito, 2014 e e-galáxia, e-book). Em abril de 2016 publiquei o fanzine O mergulho, com textos e fotos minhas e direção de arte e ilustrações de Rodrigo Terra. Integro o Coletivo Martelinho de Ouro. Participei de cinco publicações do Martelinho: Achados e perdidos (RDG, 2013), 50 anos daquele 64, Serendpt (Livrus), publicados também em formato digital. Em novembro de 2015 foi publicado o fanzine Fancine. Sub, livro de contos do Martelinho sobre tudo que pode estar oculto, foi publicado pela Patuá no fim de 2016.
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